segunda-feira, 23 de abril de 2007

Museu da Solidariedade Salvador Allende - estéticas, sonhos e utopias dos artistas do mundo pela liberdade



Acontece em São Paulo a 1º. mostra com peças do Museu Salvador Allende, do Chile, fora de seu país. O museu tem o acervo mais rico do Chile, e todas as peças foram doadas pelos próprios artistas.



A história do Museu

Em 1972, Salvador Allende era presidente do Chile, o primeiro que seguia a doutrina marxista, era partidário da Revolução Chilena e chegou ao poder pelo voto popular.
Lutou na revolução , mas seus métodos na implantação do socialismo eram diferentes, lutava por um regime libertário, democrático e pluripartidário; não usou do autoritarismo e da violência para conquistar poder, defendia as causas públicas, mas não o populismo. Foi traído por um general de seu exército, Augusto Pinochet, que tomou o poder em um golpe de Estado em 11 de setembro de 1973, quando Allende se suicidou.

Durante seu governo, junto com o crítico de arte brasileiro Mário Pedrosa, que na época vivia exilado no Chile, com José Maria Moreno Galván, crítico de arte espanhol e com o pintor catalão José Balmes tiveram a idéia de criar um museu de arte, entraram em contato com artistas envolvidos na mesma causa de Allende e pediram doações. A idéia de aproximar a arte e o povo sempre o atraíu. Receberam obras de vários locais do mundo e de vários artistas, inclusive Picasso e Miró.


Com a ditadura de Pinochet, o acervo foi parar nos porões do Museu das Belas Artes e da Arte Comporânea do Chile, mas só em 1999, Isabel Allende, filha do revolucionário, reuniu todas as peças e conseguiu uma casa para abrigar o museu, mesmo local que está instalado hoje.





A mostra no Brasil

“O objetivo da exposição é mostrar uma coleção de arte que se formou de maneira singular e, também, a produção de vanguarda dos anos 1960 da Europa, Estados Unidos e Brasil”
Emanoel Araújo, curador


É a primeira vez que a mostra sai do Chile, pretendem levar à vários países, mas o primeiro a fazer o convite foi o Brasil.

São expostos quadros que causam as mais diversas reações no público, a maior parte deles trata da luta pela liberdade. Durante certa fase da história da humanidade, muitos países sofreram do mesmo mal, governos autoritários, ditaduras, que perseguiam aqueles que os contrariavam, e fizeram várias vítimas. O Brasil, assim como o Chile, passou por esse problema. Nossos artistas também foram reprimidos e também procuraram expressar sua aflição e dor na arte, mas há uma grande diferença em como esses países se encontram hoje. O Brasil, tem vários problemas sociais que fazem parte da nossa realidade há anos, a cultura, além de ser cara, não atrai a maior parte da população. Uma minoria intelectualizada, aborda o tema frequentemente, de forma redundante, mas continuamos na mesma, nada foi feito, a população se conformou e continua a viver a história do país de forma mais alienante possível.

Entre muitas obras espostas, encontra-se trabalhos dos espanhóis Pablo Picasso e Juan Miró e dos brasileiros Lygia Clark, Sergio Camargo e Antonio Henrique Amaral.

A exposição não vem apenas trazer um entretenimento de ótima qualidade, mas também mostrar que a cultura pode ser acessível a todos. Muitos eventos têm o preço altíssimo e grande parte da população não tem condições de visitar, aqueles que são mais baratos, corre o risco de serem de péssima qualidade,mas se alguém tomar a iniciativa, as coisas acontecem.

Em entrevista ao Blog, o publicitário Miguel Nisembaum deu sua opnião sobre a exposição. "Ao visitar a exposição do museu Salvador Allende me surpreendi com a diversidade de movimentos e artistas presentes no acervo, sendo leigo em artes plásticas não posso descrever cada um, mas posso descrever os distintos sentimentos percebidos enquanto caminhava pela mostra.

Da menção explicíta à repressão e ao golpe de 1973, no Chile, retratada em quadros onde podemos ver a dor, os gritos e a mão de ferro de um dos regimes mais sangrentos do século XX , passando pela representação da ironia e sarcasmo da hipocrisia de um mundo movido pelo poder econômico e bélico, a mostra termina mostrando a pureza das formas e cores de forma abstrata, transcendendo os aspectos históricos e politícos, exaltando a criatividade que somente o Homem Livre pode exercer.

Recomendo a exposição a todos que queiram entender e sentir este período da história da América Latina."

A curadoria é do baiano Emanoel Araújo, diretor do Museu Afro Brasil, quem traz a exposição para o Brasil é a FIESP.


Serviço


Exposição: Estéticas, Sonhos e Utopias dos Artistas do Mundo pela Liberdade

Local: Galeria de Arte do SESI – Av. Paulista, 1313 – metrô Trianon-MaspExposição: de 20 de março a 24 de junho de 2007Horário: de terça a sábado, das 10h às 20h; domingos, das 10h às 19h

Entrada: franca

Informações para o público: tel. (11) 3146-7405

Mais informações:

http://www.sesisp.org.br/home/2006/centrocultural/Prog_expo.asp

http://www.fiesp.com.br/agencianoticias/2007/03/20/mostra-museu-salvador-allende.ntc

3 comentários:

Unknown disse...

Conheço o publicitário Miguel Nisembaum, e por eu ser publicitária também, faço minhas as palavras dele. Excelente exposição, uma boa dica a todos os adoradores de arte.
Exposição impressionante! Só o que tenho a acrescentar!
Obrigada!
Beijos

Anônimo disse...

Poxa...muito legal seu Blog!!!

Anônimo disse...

Obrigado por Blog intiresny